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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Perspectivas pouco limpas

Devido à poluição no rio Tâmega

Amarante: Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade

21.04.2008 - 18h01 - Lusa

Tâmega, rio onde a água é o líquido em menor quantidade.

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou hoje um especialista ambiental. A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista em estudos de impacte ambiental.
Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).
Rui Cortes sustenta, ainda, que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite, aproveitando a energia das eólicas, a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.
Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada. "Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental", avisou o professor da UTAD.

Linha de alta tensão traz mais problemas
Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 kVA com 22 km de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição. A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.
Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, "está completamente desvalorizado e foi até descurado" na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários.

Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP. O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.

sinto-me:
publicado por ehgarde às 23:48
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1 comentário:
De Carlos Manta Oliveira a 22 de Abril de 2008 às 10:30
É fácil de admitir que sim, que com a bombagem seja possível que o caudal ecológico se deteriore, já que a água, embora circule, não vai ter apenas o seu fluxo normal.

Mas aqui é preciso pesar muito bem as vantagens e desvantagens. O consumo de energia eléctrica, por muitas racionalizações e diminuições que se façam, vai ter um valor maior durante o dia do que durante a noite.

Os modos de produção de energia mais eficientes, e em consequência menos poluidores, são aqueles que produzem uma quantidade constante de energia. Há aqui um desencontro entre o consumo real e a produção mais eficiente.

Usar barragens com bombagem permite fazer esse acerto, não apenas de aproveitar a eólica em excesso, mas também de substituir produção ineficiente por produção eficiente.

Por exemplo se consumir-mos 30 durante a noite e 90 durante o dia (não interessa a unidade), a produção eficiente só produz uma parte pequena. Se usarmos bomabagem (acumulação de energia produzida, é possível por a produção a 50 constante, e assim usar apenas produção de eficiência máxima.

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