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Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Santos da casa...

... às  vezes fazem milagres:

Painéis solares cobrem edifício nas traseiras da Casa da Música

Hugo Silva - 2008.04.29 - JN

O edifício que está a ser construído nas traseiras da Casa Música, na Boavista, Porto, vai acolher a nova sede da EDP no Norte, apresentando "características inovadoras na área energética". Telas de ensombramento das fachadas com capacidade para captação fotovoltaica, painéis de aquecimento solar e energia eólica na cobertura são elementos que vão marcar o imóvel, numa óptica de "auto-suficiência". Os painéis colocados nas fachadas deverão rodar de acordo com a orientação solar, emprestando um aspecto original ao edifício, cuja inauguração está prevista para o início de 2010, de acordo com as previsões da EDP.
"O objectivo é a auto-suficiência energética, prevendo-se que a nova sede Norte venha a ser o primeiro edifício com classificação energética superior", acrescenta a informação da EDP.
Chegou a estar prevista a implantação da sede do BPN naquele imóvel, mas o edifício será, então, a sede da EDP. Rui Costa, responsável da Adicais, promotora do empreendimento, explicou que está a ser negociada com a instituição bancária a sua instalação num edifício do mesmo quarteirão (gaveto da Avenida da Boavista com a Rua de 15 de Novembro), que até já está pronto.


Sete pisos acima do solo

Na nova sede Norte do grupo "irão trabalhar cerca de 700 trabalhadores administrativos". "A concentração de serviços num único edifício permite libertar alguns dos 27 imóveis que o grupo ocupa actualmente na cidade do Porto", explica a empresa.
O edifício (um dos dois que compõem o imóvel que tanta polémica deu por causa das vistas do janelão das traseiras da Casa da Música) tem sete pisos acima do solo (seis de escritórios, com 10 mil metros quadrados, e um de comércio, com 1500 metros quadrados) e dois pisos subterrâneos, com 250 lugares para estacionamento, zonas de arquivo e áreas de armazenamento.
Voltado para a Avenida da Boavista e para a Casa da Música (cuja imagem poderá reflectir-se nos painéis solares), o prédio terá um "auditório com características técnicas inovadoras", entre outras valências para a criação de "bom ambiente de trabalho".
Os trabalhadores da EDP terão direito, então, a espaços de ambiente anti-stress, designadamente SPA, ginásio, salas de leitura, de audiovisual e zonas de restauração, entre outros.

Vizinhança por definir

"A qualidade e inovação urbanística do imóvel [o projecto é do arquitecto Ginestal Machado], bem como a localização central e junto a um equipamento cultural de referência garantem o reforço da visibilidade e do prestígio da marca EDP", acredita a empresa.
Ainda não está definido quem ocupará o outro edifício nas traseiras da Casa da Música, que ficará ligado por uma pala e uma cave à sede do EDP. Esta configuração dos dois edifícios foi a solução encontrada para manter sem barreiras o janelão das traseiras do equipamento cultural.
sinto-me:
publicado por ehgarde às 23:27
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Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!...

Relatório da UNICEF
Crianças são as principais afectadas pelo aquecimento global
29.04.2008 - 19h03 - PÚBLICO
São as crianças, e principalmente as dos países mais pobres do planeta, as principais afectadas pelas consequências do aquecimento global. A conclusão é de um relatório da UNICEF no Reino Unido, publicado agora no âmbito das comemorações dos dez nãos da assinatura britânica do protocolo de Quioto.
Mas não é só a saúde destas crianças que está em risco. Segundo o relatório, cheias, secas, doenças provocadas por vectores, como a malária, afectarão também a educação e perspectivas de futuro das crianças dos países mais desprotegidos.
Enquanto os países mais desenvolvidos e mais ricos se adaptarão a esta nova realidade climática, os povos com menos recursos não terão hipótese de responder a estes novos desafios.
“É quem tem contribuído menos para as alterações climáticas, os países mais pobres e, acima de tudo as suas crianças, que serão os mais afectados”, disse David Bull, director da UNICEF no reino Unido, em declarações à BBC.
“Se o mundo não responder já para minimizar os efeitos das alterações do clima e para se adaptar aos riscos que esta nova realidade introduziu, estaremos a colocar em perigo o cumprimento dos Objectivos do Milénio até 2015”, acrescentou Bull.
Os oito Objectivos do Milénio, os maiores desafios mundiais segundo as Nações Unidas, compreendem a erradicação da pobreza extrema e da fome, a educação universal, a igualdade de género, a redução da mortalidade infantil, o investimento na saúde materna, o combate contra o HIV e malária, entre outras doenças, a sustentabilidade do ambiente e a construção de uma parceria global com vista ao desenvolvimento.
As nações comprometeram-se a alcançar estes objectivos até 2015. Mas o Banco Mundial alertou este mês para o facto desse comprometimento estar em risco de não ser cumprido. Pelo menos a África Subsariana falhará todos os oito objectivos por essa data.
Mas para a Unicef são as alterações climática so principal travão a essa conquista. O aquecimento global e as consequências na redução de chuva, o aumento das doenças relacionadas com o consumo de água não potável, como a cólera e a diminuição da produtividade agrícola reforçam esta tese do organismo das Nações Unidas para a infância.
“Todas estas consequências têm a ver com o aumento da temperatura global que cresceu pelo menos um grau em média, desde 1850”, disse à BBC Nicholas Stern, ex-vice-presidente do Banco Mundial, conselheiro do executivo de Gordon Brown e autor do relatório Stern Review sobre o impacto económico das alterações climáticas. Segundo Stren são as alterações climáticas o principal motor de um possível aumento da taxa de mortalidade infantil em África.

Batem leve, levemente,

como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho.

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração.

Balada da Neve,
Augusto César Ferreira Gil
(
Lordelo do Ouro, Porto, 31 de Julho de 1873 / Lisboa, 26 de Fevereiro de 1929).
sinto-me:
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Apenas para recordar...

Completam-se hoje 126 anos que circulou o primeiro troleicarro - o Elektromote - pelo engenho de Werner von Siemens, em Halensee, Berlim, Alemanha.
29.04.1882 
pl: ku pamięci: dzisiaj mija 126 lat od dnia, gdy pierwszą jazdę w podberlińskim Halensee odbył Elektromote, pierwszy trolejbus zbudowany przez Wernera von Siemensa.
 
it: soltanto per ricordare: fanno oggi 126 anni che a Halense, Berlino, Germania, Werner von Siemens ho fatto circulare il primo filobus - l'Elektromote.
 
en: just to remember: completes today 126 years after the first trolleybus had run for the first time - the Elektromote. It happens by Werner von Siemens work at Halense, Berlin, Germany.
 
eo: nur per rememori: hodiaŭ kompletiĝas 126 jaroj je la unua vojaĝo de la unua trolebuso - la Elektromote - en Harlense, Berlino, Germanŭjo, per inventa talento de Werner von Siemens.
 
fr: seulement pour rappeller: se complètent aujourd'hui 126 ans lesquels a circulés le premier trolleybus - l'Elektromote - dans Halense, Berlin, Allemagne, par la main de Werner von Siemens.
O futuro
 
sinto-me:
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Será que...

... temos de ser sempre mais espertos, inteligentes e voluntariosos do que os outros?

Reunião da OCDE em Paris

Transportes com dez por cento de biocombustíveis antes de 2020

29.04.2008 - 11h42 - Lusa
O ministro do Ambiente, Nunes Correia, disse ontem em Paris, que Portugal quer utilizar dez por cento de biocombustíveis nos transportes antes de 2020, a meta definida pela União Europeia.
Nunes Correia encontra-se na reunião ministerial da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Na reunião apresentou-se o relatório "Perspectivas ambientais da OCDE para 2030". O documento concluiu que os problemas ambientais que se enfrentam hoje têm resoluções que são viáveis e exequíveis a nível financeiro.
Segundo o ministro do Ambiente, existem quatro áreas definidas pela OCDE com "luz vermelha" que "obrigam a uma atenção muito particular": alterações climáticas, escassez de água, perda da biodiversidade e impactos da poluição ambiental sobre a saúde. "O cenário é negativo se nada for feito mas aquilo que é necessário fazer é perfeitamente razoável em termos de custos, e isto é uma conclusão muito importante", defende o ministro.
Nunes Correia admite que Portugal está "com dificuldades em alcançar as metas de emissões previstas em Quioto". No entanto, no caso dos transportes, "Portugal até se propôs antecipar o prazo e pretende antecipar", a União Europeia tinha definido 2020 como a meta para este objectivo. Para isso “está a apostar nos biocombustíveis [provenientes da produção agrícola] de segunda ou até mesmo de terceira geração. ”, disse à Lusa.
(...)
A OCDE estima, de acordo com Nunes Correia, que o Produto Interno Bruto (riqueza interna de um país) do Estados da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico deverá duplicar até 2030. "Portanto, o esforço que se pede a estes países é relativamente modesto para conseguir resultados com extremo significado", sustentou o ministro.
Segundo o ministro, três das quatro áreas fundamentais definidas pela OCDE, as alterações climáticas, escassez da água e perda da biodiversidade, foram uma prioridade durante a presidência portuguesa da União Europeia. “Em todos eles, estamos naturalmente activos", disse.
sinto-me:
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Domingo, 27 de Abril de 2008

Mini-hídricas por água abaixo?

Mini-hídrica nem dá para o banco
Eduardo Pinto, JN, 2008.04.27

As chuvas deste mês de Abril poderão dar algum alento à Câmara de Vila Nova de Foz Côa. A culpa do desânimo é da mini-hídrica do Catapereiro, que por insuficiência de água não produz energia suficiente. Nem para pagar as prestações ao banco sobre o empréstimo que foi necessário contrair para fazer o investimento, quanto mais para dar lucro.
"Vai para um ano que pouco ou nada produz", lamenta-se o autarca socialista, Emílio Mesquita. Ou seja, "não chove, não gera energia". Entretanto, a Câmara tem de continuar a amortizar a dívida à banca, resultante da construção de um empreendimento que custou 15 milhões de euros.
Afinal, concede o edil, "a mini-hídrica até nem é má", apesar de considerar que a ribeira onde se construiu "era muito fraca". O problema é que o crédito tem de ser pago em dez anos e da maneira que os anos vão secos, dificilmente se consegue uma produção eléctrica capaz de amortizar por si só o investimento.
Emílio Mesquita acredita que o empreendimento poderia "beneficiar significativamente o concelho". Recorda que no primeiro mês de actividade o equipamento gerou cerca de 450 mil euros de energia, o que acabou por criar grandes expectativas. Mas não. Os anos têm vindo cada vez mais secos. "O orçamento do Município é muito prejudicado pela situação", nota o edil, pois a Câmara tem de manter os seus compromissos com a banca (1,5 milhão de euros/ano), apesar de não ter receitas pela venda da energia do Catapereiro. A solução poderá passar por renegociar os prazos para amortizar a dívida, de molde a que a factura anual não seja tão pesada. "Se fosse a vinte anos não haveria problema nenhum em cumprir", assegura, ao JN, Emílio Mesquita.

Números do empreendimento:
  • 15 milhões de euros foi quanto custou o a mini-hídrica do Catapereiro.
  • 10 anos é o prazo que a Câmara tem para pagar o empréstimo bancário contraído para avançar com o empreendimento.
  • 450 mil euros de energia deu a mini-hídrica no primeiro mês de actividade.
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Esta g€nt€ tem cá uma lata!!!

Com que então "o comboio poderá ser uma alternativa"?!?

TGV e aeroporto em discussão
JN, 2008.04.23
(...) O outro dossiê a merecer objecto de discussão entre Rui Moreira e José Sócrates será o Transporte de Grande Velocidade (TGV) entre Porto e Lisboa. "Estamos a aguardar uma resposta do Governo. Como a A1 está congestionada e as ligações aéreas demoram mais do que seria razoável, o comboio poderá ser uma boa alternativa", concluiu.

Será que os "empresários do Norte" (e dos outros quadrantes da rosa-dos-ventos) não têm consciência da realidade - e que não seriam empresários se não houvesse a mole disforme dos consumidores que lhes dão o sustento?
E que essa mole também se tem de deslocar - e não o faz de avião por razões óbvias?
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Raios o partam!

Ao bairro!!! 


Khongolote: De desgraça em desgraça

QUATRO pessoas da mesma família morreram de forma violenta, na noite de último domingo, quando uma descarga de relâmpago atingiu-as e deixando destruída a casa construída à base de material precário no quarteirão 11, do Bairro do Khongolote. Na altura, as vítimas  se encontravam no interior da habitação, buscando pelo abrigo depois do mau tempo que se abateu  sobre a capital do país, ao cair da noite daquele fatídico domingo.

Maputo, Quarta-Feira, 23 de Abril de 2008 - Notícias

Trata-se de um casal, que era constituído por Samuel Matsimbe e Saugineta Matsimbe, seus dois filhos menores, um de quatro anos e outro de quatro meses de vida, que foram colhidos mortalmente pela  referida descarga. A ocorrência registou-se pouco depois das 21.00 horas, depois que o estado de tempo foi alterado, passando a caracterizar-se por  períodos  de chuva e  um misto de trovoada e relâmpago,  para além  de ventos  fortes.

Tal como contaram algumas testemunhas, pela disposição em que se encontravam os corpos depois da ocorrência, dá para presumir que na altura a família poderia estar reunida  à mesa  a jantar ou  simplesmente em conversa  de circunstância, própria de um ambiente familiar.  

Dos vizinhos, ninguém soube  explicar ao certo  como é que esta desgraça teria acontecido, tendo sido alertados da ocorrência  pelos gritos de alguém que ia a passar daquele local enquanto a residência já estava em chamas já não restava sequer uma alma viva.

As chamas causadas pelo raio foram de tal forma intensas que não foi preciso muito tempo para devorarem a residência feita a partir caniço e cimento maticado. Dela pouco ou nada sobrou senão escombros do que alguma vez foi uma da casa, dada a violência do fenómeno.

Rossana Abdul, uma das testemunhas, afirmou que dadas as circunstâncias em que tudo aconteceu não haverá mais nenhuma explicação clara sobre o incidente, uma vez que quase ninguém estava na rua àquela hora, tendo as pessoas ficado todas surpreendidas quando ouviram os gritos. Acrescentou que depois de alertados, tentaram mobilizar alguns meios para debelar as chamas e tentar socorrer as vítimas, mas já era tarde demais.

HISTÓRIAS DO GÉNERO REPETEM-SE NO BAIRRO

Tal como contaram alguns moradores daquele quarteirão e dos arredores, não é o primeiro caso do género a registar-se no Bairro de Khongolote, principalmente no 1º de Maio. No passado mês de Fevereiro uma mulher recém-chegada da província de Inhambane, foi atingida nas costas por um raio dentro da sua casa, em plena luz do dia.

Esta situação teria deixado a referida mulher, identificada por Mariamo Ussene, a abandonar a zona por não encontrar uma explicação sobre o sucedido.

Presume-se ainda que antes deste  caso um outro já tinha sido registado nos meados do ano passado, mas como no anterior a vítima escapou com vida acabou também por abandonar aquele bairro.

sinto-me:
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A linha ferroviária do Tua e o fundamentalismo do betão

segunda-feira, 21 de Abril de 2008, http://static.publico.clix.pt/carga_transportes/noticias.asp?id=1326417&idCanal=1670

 A barragem do Rio Tua pode ser um investimento interessante para a empresa que a vai explorar, a EDP, mas provocará, sem dúvida, uma perda irrecuperável do transporte público, da paisagem e da agricultura de Trás-os-Montes, que se tornará mais pobre e despovoada.

Rui Rodrigues, http://www.maquinistas.org
A linha de via estreita do Tua foi construída no final do século XIX e início do século XX, desde a foz do Rio Tua até Bragança, numa extensão total de cerca de 133,8 quilómetros (Km), tendo sido desactivado o troço de Mirandela a Bragança, de 81 Km, no ano de 1991. A construção da linha desde a Foz do Tua até Mirandela, sobretudo os vinte quilómetros iniciais, comparável a algumas vias nos Alpes, foi uma obra de muito difícil execução, tendo sido concluída em 1887. Durante vinte anos, Mirandela foi o fim da linha mas, a partir de 1905, chegou a Bragança o que, naquela época, representou uma grande melhoria da mobilidade para as populações daquela região.

O encerramento do troço de Mirandela a Bragança foi envolvido em polémica, pois foram gastos 300 mil contos (1 milhão e meio de Euros) pouco tempo antes do seu fecho, em 1991. Ficou por explicar esta despesa, sobretudo pelo facto de uma capital de distrito de Portugal ter ficado sem via férrea. Na altura houve alguma contestação, que quase desapareceu, após várias promessas de substituição do comboio por autocarros nas povoações afectadas. Infelizmente, passados cerca de 18 meses, após o encerramento da via, também os autocarros foram suprimidos e as populações ficaram sem qualquer transporte público.

O transporte de mercadorias que o comboio facultava foi outra das grandes perdas para aquela região. Esta é, aliás, uma das maiores queixas de algumas povoações. Para se ter uma ideia desta situação basta dizer que um construtor perto de Azibo (30 km a norte de Mirandela), para encomendar cimento, só pelo serviço do transporte de camião até ao Pocinho, paga cerca de 500 euros. Outro tipo de mercadorias, tais como adubos, cereais, cortiça etc., eram transportadas por via férrea. A perda deste modo causou graves danos na economia local e as consequências, hoje, são visíveis porque o abandono das estações ferroviárias, que existiam, provocaram desemprego e emigração e consequente despovoamento.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DA BARRAGEM

Recentemente foi anunciada a intenção da construção de uma barragem no Rio Tua, o que poderá representar o desaparecimento do único troço ainda em funcionamento da linha, com mais de 120 anos de existência. A linha ferroviária do Tua ficará praticamente toda submersa, se for aprovado o projecto da EDP para a construção da barragem, com uma cota de 195 metros. Mesmo que se opte pela cota mínima, os últimos 15 quilómetros da via do lado da Foz do Tua irão desaparecer.

Para a EDP que a irá explorar, pelo período de 75 anos, este é um investimento interessante, porque a nova barragem terá uma capacidade de 324 megawatts, embora, neste caso, a energia eléctrica que vai ser produzida seja insignificante para colmatar as necessidades do País. Uma das ideias que têm sido propostas, antes de se construir novas barragens, seria aumentar a potência das que já existem, o que permitirá, com baixos investimentos, obter maiores proveitos.

Um dos problemas de Portugal é a baixa eficiência energética, devido aos grandes desperdícios que se verificam no nosso país. Esta deveria ser a maior aposta a cumprir nos próximos anos. A nova barragem só iria criar postos de trabalho durante a sua construção. Terminada esta, o número de pessoas necessárias será quase nulo.

Os grandes prejudicadas com este projecto são, sem dúvida, as populações locais, uma vez que o encerramento definitivo da linha do Tua vai eliminar um serviço público de transporte, no acesso ao Porto (via linha do Douro) e a Mirandela. Outra consequência consistiria na perda de rendimento para os agricultores, vinicultores e outros trabalhadores agrícolas na inundação das terras que são a sua única base de sustentação económica. O turismo seria afectado porque, actualmente, a linha do Tua atrai milhares de visitantes nacionais e estrangeiros.

O turismo e agricultura da região são duas actividades não deslocalizáveis que a região não pode perder; caso contrário, toda aquela zona do país ficará mais pobre. Se a linha do Tua desaparecer, provavelmente vão ocorrer as mesmas consequências que se verificaram no troço encerrado entre Mirandela e Bragança, onde algumas promessas feitas às populações não foram cumpridas.

A construção de uma barragem gera sempre impacte ambiental e cada caso é um caso, sendo este bastante digno de estudo e de ponderação.

A LINHA DO TUA E O TURISMO

Estão previstos alguns investimentos, em Espanha, que indirectamente irão beneficiar a região de Trás-os-Montes. Nos próximos anos, com a conclusão da nova rede ferroviária espanhola, vai ser possível ligar Madrid a Puebla de Sanábria, em 1 hora e 40 minutos e a capital espanhola a Salamanca, em 1 hora e 30 minutos. Está também prevista a reabertura do troço de Fuente de S. Estéban até Barca de Alva, que ligará a fronteira portuguesa a Salamanca. Se do lado português for reaberta a via desde Barca de Alva até ao Pocinho, a linha do Douro terá ainda maiores potencialidades turísticas.

Quanto mais tráfego tiver a linha ferroviária do Rio Douro e melhor funcionar, maior beneficio resultará para a linha do Tua, que dela depende, e que já foi considerada, por revistas estrangeiras, como uma das cinco mais belas linhas turísticas da Europa. Em Portugal, existem poucos locais com aquela beleza, sendo difícil descrever, por palavras, os cerca de 54 quilómetros de via férrea, que separam Mirandela da foz do Tua, pois é uma experiência inesquecível, que fica na memória de qualquer visitante e com o desejo de um dia lá voltar. Para se ter uma ideia da beleza ao longo deste itinerário, podem-se ver as fotos no seguinte ‘site’: http://picasaweb.google.pt/rodrigues.rui1/LinhaDoTua03?authkey=rk1Bwb8VOgY


Já aqui me referi por várias vezes a este triste assunto...

sinto-me:
publicado por ehgarde às 18:08
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Hoje...

...é o Dia da Terra!

Vamos fazer alguma coisa por ela?

sinto-me:
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Perspectivas pouco limpas

Devido à poluição no rio Tâmega

Amarante: Barragem de Fridão pode provocar desastre ambiental na cidade

21.04.2008 - 18h01 - Lusa

Tâmega, rio onde a água é o líquido em menor quantidade.

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou hoje um especialista ambiental. A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista em estudos de impacte ambiental.
Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).
Rui Cortes sustenta, ainda, que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite, aproveitando a energia das eólicas, a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.
Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada. "Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental", avisou o professor da UTAD.

Linha de alta tensão traz mais problemas
Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 kVA com 22 km de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição. A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.
Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, "está completamente desvalorizado e foi até descurado" na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários.

Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP. O Ministério do Ambiente anunciou que o concurso para a concessão da barragem de Fridão será lançado a 30 de Abril.

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