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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Pagar caro

PAGAR CARO

In BLOGUE DE MANUEL MARGARIDO TÃO

Aí está. A factura da embriaguez em petróleo e da toxicodependência rodoviária em que Portugal se enterrou nas duas décadas de Integração Europeia.

Um poder político sem largueza de vistas, decidiu privilegiar o retorno rápido das estradas a expensas do caminho de ferro. O binómio estradas-receitas fiscais do petróleo, era uma espécie de motor de movimento perpétuo que nunca falharia. Com mais carros exigia-se a construção de mais estradas. E com mais estradas apareciam mais carros. E com a receita fiscal proveniente da venda de produtos petrolíferos, até se brindava ao povo com auto-estradas de graça: as SCUT´s. Tudo funcionaria lindamente e sem sobressaltos, garantindo um sistema financeiramente próspero, não fora o petróleo ser produzido fora da economia do país. Mas enquanto o crude se mantivesse barato, a condição de "price-taker" não traria quaisquer tipo de problemas a Portugal. Quanto à logística, o rei-camião, solução universal, fez milhares de patrõezinhos da sua própria firma, algo bem mais simpático do que aqueles estruturas "pesadas" como o comboio, que sempre encaixaram mal no ideário neo-liberal.
 
Com o petróleo a bater recordes após recordes, o brinquedo partiu-se. E Portugal começou a colher o fruto podre da política de abandono e desmantelamento do caminho de ferro que andou a semear ao longo de duas décadas. A populaça revolta-se contra o elevado preço do combustível para o abastecimento da sua viatura privada, sem nunca equacionar sequer compartilhar o carro, ou mudar para o transporte público. Mas foram estes aumentos, por via do exterior, que ditaram, pela primeira vez, uma redução sensível de viaturas diárias a entrar em Lisboa (20.000 a menos, em Maio de 2008). Mais do que qualquer autocolante inútil aposto nas viaturas, dizento "goze a viagem, vá de transporte público", o factor preço foi o único que até agora conseguiu minimamente reduzir a utilização do automóvel - algo que dá que pensar a muito boa gente da política, que foge da ideia de "road-pricing" como o diabo da Cruz. Aliás, o PETs (estudo efectuado à escala Europeia em 2002), já adiantava que de todas as capitais Europeias, aquela onde a penalização monetária do uso do automóvel se revelaria mais eficaz, resultando em -32% de tráfego, seria, precisamente, Lisboa. Mas como implementar políticamente a medida, atingindo indivíduos que se andou duas décadas (e se continua) encorajando a desertar do transporte público?
 
Mas há ainda mais questões alarmantes sem resposta.
 
Portugal está nas mãos de meia-dúzia de grupos que dominam a logística, e não respeitam sequer quem, dentro do ramo, não aceita alinhar nas acções de protesto por si promovidas. O Governo ofereceu-lhes uma série de concessões - AGORA. E o que é que vai fazer, quando o crude petrolífero porventura chegar aos U$200??? Mais concessões? O contribuinte a quem se bloqueia o subsídio à exploração de uma linha ferroviária no interior de Trás-os-Montes, vai ter outra vez. e outra vez, e outra vez que subsidiar semelhante situação? Como subsidia Portagens na Ponte 25 de Abril, enquanto que o comboio da FERTAGUS apresenta das tarifas suburbanas mais elevadas da Europa (expressas em PPP)?
 
E como é que o Governo, que insiste em construir mais auto-estradas (quando se considera não-prioritário ligar Viseu à rede ferroviária),vai financiar as novas SCUT´s? Os mesmos sectores que querem auto-estradas de graça (e ainda as têm), querem redução do Imposto sobre Produtos Petrolíferos, dos quais sai correntemente uma larga fatia para entregar aos concessionários das famigeradas rodovias.
 
Como descalçar esta(s) bota(s)?
sinto-me:
publicado por ehgarde às 18:24
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