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Às aranhas (2)

Se calhar há mesmo (muitas) razões para os portugueses se sentirem pessimistas...

Falta de política única energética fragiliza Europa

24.06.2008 - 15h35 - Por Lusa
A falta de uma política única energética fragiliza a Europa na relação com a OPEP, considerou hoje a economista americana Laura Randall, no dia em que os responsáveis comunitários se encontram em Bruxelas com o poderoso cartel petrolífero: "Se a União Europeia (UE) não encontrar uma política única no que toca ao petróleo ou às alternativas disponíveis, será difícil manter uma boa relação [com a OPEP]", disse à agência Lusa a académica, autora de vários livros sobre política económica dos países produtores de petróleo da América Latina.
Laura Randall, professora de Economia no City College e no Hunter College de Nova Iorque, considerou mesmo que "o petróleo pode ser um tema com poder para provocar a dissolução da UE", uma vez que poderá alienar os cidadãos europeus. "Uma grande parte da população poderá sentir que não beneficia com a situação ou que não tem controlo suficiente sobre quem decide sobre a quantidade de petróleo a enviar para o mercado," considerou.
Com o preço do petróleo a aumentar continuamente e a atingir hoje os 138 dólares depois de já ter subido a máximos históricos próximos dos 140 dólares, a UE pediu hoje à OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo para aumentar a produção petrolífera, com Bruxelas a esperar que o aumento da oferta reduza o preço petrolífero.
"Não há razão para manter tectos de produção", disse o comissário europeu para a Energia, Andris Piebalgs à entrada do encontro em Bruxelas, com Chakib Khelil, presidente da Opep, a garantir que os preços do petróleo "não vão baixar" e que o cartel "já fez o que pode".
É neste cenário de demasiada procura para pouca oferta que Laura Randall defendeu em entrevista à agência Lusa a alteração do modelo energético europeu e adivinhou um futuro complicado para os europeus.
"Poderá provocar, ao nível do consumo, por exemplo, o uso menos intensivo do aquecimento eléctrico, ou a necessidade de se voltar a recorrer a lavadeiras, se a conta da energia da máquina de lavar roupa se tornar insuportável," revela. "Ao nível da produção, haverá maior controlo sobre o consumo de energia e, sempre que possível, substituir-se-ão as tecnologias mais dispendiosas por mão-de-obra," adianta.
Mas o maior impacto, segundo Randall, poderá dar-se ao nível da localização das unidades de produção. "Talvez se tornem menores e mais perto dos mercados, para evitar os custos de transporte." "A alternativa é continuar a apostar no desenvolvimento dos substitutos do petróleo", assegura. "A Europa já está a trabalhar nesse sentido. Além da energia atómica e da energia eólica, as taxas sobre os derivados do petróleo são já superiores às praticadas nos Estados Unidos. É uma boa medida para desincentivar o consumo", conclui.
sinto-me:
publicado por ehgarde às 16:46
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