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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

O nuclear volta ao ataque - 2

2.º round - o científico:

Carlos Varandas diz que abertura do debate sobre o nuclear é «extremamente oportuna»

:: 2008-07-16 - CiênciaHoje

Varandas diz que fusão nuclear demora décadas
Varandas diz que fusão nuclear demora décadas
A abertura do debate sobre o nuclear é "extremamente oportuna", mesmo tendo em conta apenas a fissão nuclear e não a fusão, um processo mais limpo e mais barato mas ainda a décadas de distância. A afirmação é de Carlos Varandas, presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN), associado ao projecto do Reactor Termonuclear Internacional Experimental (ITER) actualmente em construção em Cadarache, perto de Marselha (França).
O investigador justificou hoje a sua posição à agência Lusa com as repercussões dos aumentos do preço do petróleo no custo da energia e porque "está agora a ser lançada no mercado uma nova geração de reactores de fissão nuclear, chamados de 'Geração 3', bastante mais seguros do que os anteriores e muito mais eficientes e limpos".
Na sua perspectiva, a electricidade de base "só pode ser produzida de duas maneiras: ou através das centrais hidroeléctricas, em que o governo investe muito, ou por centrais térmicas a gás natural, um processo poluente, embora menos do que o petróleo, mas cujos custos sobem com os deste, ou através de centrais nucleares". "Em Portugal, se vamos esgotar a nossa capacidade hidroeléctrica, se não queremos poluir e estar dependentes do preço do gás natural, então só temos a opção nuclear", considerou.
"Estou convencido de que em Portugal, tal como no resto da Europa, é vital relançar o debate sobre o nuclear e tomar as medidas que permitam ao governo, mais cedo ou mais tarde, tomar uma decisão", afirmou.
No entanto, o reacender do debate nada tem a ver com a fusão nuclear, e nomeadamente o projecto ITER, "que está a percorrer o seu percurso normal", tendo em vista a sua entrada em operação entre 2018 e 2020, salientou.

Daqui a quatro ou cinco anos

Depois de concluído, espera-se que, num período de quatro a cinco anos, o ITER demonstre a viabilidade científica e técnica da energia de fusão, apontando-se o início da produção comercial de energia para dentro de 40 a 60 anos, dependendo da vontade política.
A construção daquele reactor experimental arrancou este ano, estando neste momento já instalados edifícios provisórios, onde trabalham cerca de 200 pessoas, e estão a ser feitas escavações para os blocos finais.
Sobre a participação de Portugal no projecto, o investigador referiu duas vertentes, uma a nível internacional, com a negociação do primeiro contrato para toda a Europa na área do controlo e da aquisição de dados, a concluir no final do mês, e outra europeia, com a presença de um português a trabalhar já com funções de responsável na Agência Europeia de Fusão Nuclear.
"Por outro lado, estamos a aguardar que sejam lançados os concursos para os contratos de investigação a realizar em Portugal para o ITER, onde esperamos que Portugal possa assinar dois ou três até ao final do ano", acrescentou.

Fusão mais segura

Interrogado sobre as principais diferenças entre a fissão e a fusão nuclear, Carlos Varandas disse que "a fusão é ainda mais segura do que a fissão e praticamente não produz lixos radioactivos". Outra diferença é que "os combustíveis usados, a água e o lítio, são muito abundantes na Terra, e muitos baratos, em particular a água".
Para o investigador, as vantagens da fusão nuclear face à fissão nuclear são óbvias, nomeadamente porque "os elementos utilizados na fissão só existem em reservas para 100 a 200 anos, enquanto os da fusão nuclear, extraíveis da água do mar, "são praticamente inesgotáveis". A fusão nuclear é também, de acordo com Carlos Varandas, cerca de 100 vezes mais poderosa que a reacção de fissão.
Segundo os peritos, um quilograma de combustível de fusão permitirá produzir uma energia equivalente a 10 milhões de litros de petróleo. "Quando a central estiver construída será mais barata, mais limpa, mais segura e mais amiga do ambiente", afirmou, resumindo o processo como “a reprodução na Terra da produção energética do universo, onde toda a energia é gerada por reacções de fusão". "A seguir, dependendo das decisões políticas, vai ser necessário construir uma máquina que transforme em electricidade a energia térmica de fusão produzida no ITER", afirmou. "Se os políticos decidirem avançar desde já com a construção dessa máquina, chamada Demo, em paralelo com o ITER, poderemos ter electricidade dentro de 40 anos, caso seja decidido construí-la só depois de se ter a certeza de que a fusão é uma realidade, serão necessários mais 20 anos", explicou.
O ITER é um projecto de mais de 12 mil milhões de euros que agrega sete parceiros (União Europeia, EUA, China, Índia Japão, Coreia do Sul e Rússia), sendo a participação portuguesa coordenada pelo Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, um Laboratório Associado com sede no Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa.

 

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publicado por ehgarde às 12:02
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