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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Nova crise de petróleo em perspectiva

Consomem-se 85 milhões de barris por dia e em 2030 serão 106 milhões

13.11.2008 - 09h12 - Por Ana Fernandes 
A Agência Internacional de Energia já não tem dúvidas de que os poços petrolíferos em actividade pelo mundo estão a baixar a sua capacidade de produção e, com isso, está aberta a porta a mais uma crise do petróleo.

No seu último relatório, ontem divulgado, o organismo admite que já se regista uma queda de 6,7 % na produção, que chegará aos 8,6 % em 2030. Com o aumento que se prevê na procura, é urgente que se façam investimentos, ou haverá uma nova crise, eventualmente pior do que a deste Verão, alerta.

A novidade do relatório deste ano é o estudo exaustivo feito pela agência a 800 dos maiores campos petrolíferos do mundo. Para constatar que a taxa de declínio "vai aumentar significativamente no longo prazo." A situação já nem sequer é famosa hoje. Se a procura não se alterar até 2030, será necessário produzir mais 45 milhões de barris por dia para compensar a queda na oferta, diz a AIE.

Só que a previsão é de um aumento da procura. Hoje consomem-se 85 milhões de barris diariamente, mas em 2030 o consumo deverá estar nos 106 milhões de barris. O que coloca um grave problema, já que o petróleo, apesar de tudo, continuará a ser principal fonte energética do planeta.

A solução, defende a agência, é investir. Mas receia que a actual crise económica refreie a aposta no sector, o que conduziria a uma crise energética. Que já não demoraria muito. "É necessário aumentar a capacidade produtiva em 30 milhões de barris por dia até 2015", defende o relatório. Mas "há um risco real que a falta de investimento leve a uma crise na oferta neste lapso de tempo."

E já há sinais disso. Faith Birol, economista da AIE que ontem deu uma conferência de imprensa em Londres, disse que quase todos os dias se sabe de mais um projecto que foi adiado. 

A agência considera necessário injectar mais de 800 mil milhões de euros por ano até 2030 para aumentar a oferta. E apostar em novas tecnologias de pesquisa e prospecção.

Há, porém, um grande senão nos tempos que correm. Parte do petróleo que se está a descobrir é muito caro porque, ou está a grandes profundidades, ou é dispendioso extraí-lo, como é o caso das areias betuminosas do Canadá. Com o barril a menos de 60 dólares, alguns destes investimentos podem tornar-se desinteressantes.

Um cenário que alguns dos representantes das principais petrolíferas mundiais, que se reuniram recentemente em Lisboa, afastaram. O seu argumento reside no facto de que a programação dos investimentos das suas empresas não se fazem numa base anual, pelo que as actuais oscilações de preço podem não ser determinantes nas decisões.

Dependência da OPEP

Outro dos dados relevantes do relatório é a geografia do petróleo. A expectativa é que a produção caia mais abruptamente nos países desenvolvidos, com destaque para o mar do Norte e o Alasca. A agência considera que será nos países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) que a produção mais crescerá, passando a representar 51 % da oferta mundial, contra os 44 % actuais.

Muito do investimento que se fará passará, assim, por companhias estatais, que passarão a representar 80 % do aumento da produção de petróleo e gás esperado em 2030, avança a agência.

Os cenários avançados são de grande incerteza. A todos os níveis. Da oferta aos preços, o que se tem como certo é a volatilidade. Por estas razões, a que acresce a segurança no abastecimento energético e o combate às alterações climáticas, a agência continua a dar ênfase à aposta em novas fontes.

Os sinais já são positivos. Segundo as previsões apontadas, as renováveis irão ultrapassar o gás, passando a ser a segunda maior fonte de geração de electricidade, já em 2010.

Mas há o outro lado da moeda, sobre o qual é preciso agir. O carvão, dada a sua disponibilidade mais equitativa em termos geográficos, é a fonte de energia cuja procura mais aumenta. Com todas as implicações que isso tem em termos de emissões de gases com efeito de estufa.

Sabendo-se que é na China e na Índia, assim como no Médio Oriente, que se esperam os maiores picos de crescimento da procura, há que encontrar alternativas para fazer face ao aumento das emissões. 

Se a tendência actual se mantiver inalterada, os gases libertados pelo sector energético aumentarão 45 % entre 2006 e 2030. A agência avança que para se conseguir estabilizar as emissões de forma a que não se ultrapasse um aumento da temperatura global em três graus, tem de se caminhar para um modelo energético de baixo carbono, assente nas fontes alternativas (onde inclui o nuclear) e no sequestro e enterro de carbono.

Isso implicaria um investimento de 3,2 mil milhões de euros, ou seja, 0,2 % do Produto Interno Bruto mundial. Para se baixar a fasquia para os dois graus, seriam necessários investimentos na ordem dos 7,3 mil milhões, isto é, 0,6 % do PIB global.

Mas só a eficiência energética poderia poupar 5,5 mil milhões em energia. Um dos campos onde se deve agir é nas cidades. É nelas que mais energia se gasta e a tendência é para continuar. Já hoje, dois terços da energia consumida no mundo ocorre nos meios urbanos. Em 2030, esta responsabilidade passará para três quartos.

Mas mesmo no cenário mais restritivo em termos de emissões, o petróleo continua a ter um lugar central. A agência faz questão de sossegar os grandes produtores de petróleo, afirmando que, mesmo que o mundo invista a sério numa economia de baixo carbono, ainda vão ser necessários mais 12 milhões de barris por dia em 2030 a acrescer aos que já hoje se consomem.

 

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Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Tu quoque, ONU?

Clima

ONU recomenda aos funcionários vestuário informal para poupar energia

31.07.2008 - 09h31 Lusa

A ONU recomendou ontem à noite aos funcionários e corpo diplomático que deixem nos armários a roupa tradicional e optem por uma indumentária informal que se adapte melhor ao novo plano de poupança energético a implementar na sede da organização. É a iniciativa "Cool UN".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, autorizou a que se flexibilize o código de vestuário para que os cerca de cinco mil funcionários possam adaptar-se ao aumento da temperatura ambiente, já que a temperatura na sede da Secretaria da ONU vai passar de 22,2 para 25 ºC e de 21,1 para 23,9 ºC no anexo que alberga as salas de conferências da organização.

"Não nos vamos meter a polícias da moda mas o que procuramos é que as pessoas possam vestir roupas mais frescas", indicou, numa conferência de imprensa, Michael Adlerstein, responsável pelo projecto de modernização da sede da ONU.

Adlerstein deu o exemplo escolhendo para a ocasião uma camisa branca e calças caqui, em vez do tradicional fato escuro e gravata com que costuma luzir o reconhecido arquitecto nova-iorquino.

A ONU calcula que a diminuição do consumo de energia com o desligar do ar condicionado permitirá reduzir em cem mil dólares a factura energética do edifício e evitar a emissão de 300 toneladas de dióxido de carbono, um dos gases com efeito de estufa.

Adlerstein indicou que se a iniciativa der bons resultados, ela poderá estender-se para além de mês de Agosto e ser aplicada nos meses de Inverno, embora neste caso a recomendação seja usar roupas que conservem o calor corporal.

A ONU recordou, num comunicado, que os participantes na conferência internacional sobre alterações climáticas realizada no Verão passado na Ilha indonésia de Bali já acordaram adoptar uma indumentária mais adequada ao clima tropical.

O novo plano de poupança faz parte do projecto de remodelação da sede da ONU avaliado em 1900 milhões de dólares (1200 milhões de euros), que pretende converter o edifício conhecido como o "Palácio de Cristal" num modelo de modernidade e sensibilidade ecológica. O imóvel passou por reparações gerais desde a sua inauguração há meio século mas nunca a uma remodelação completa. As infiltrações são uma realidade no edifício, cuja estrutura contém amianto (mineral considerado cancerígeno), carece de um sistema moderno de risco contra incêndios e a potência do aquecimento e do ar condicionado é insuficiente.

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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Voilà!

 

08-07-2008 15:06:00 - Foto: Bazuki Muhammad/Reuters

G8 faz pouco pela eficiência energética

Os representantes dos oito países mais industrializados do mundo, conhecido pelo G8, preocupam-se mais com o aumento da produção de petróleo do que em reduzir o seu consumo e apostar em alternativas energéticas. Numa ilha paradisíaca do Japão, o G8 aprovou uma declaração conjunta que atribui prioridade ao aumento da produção e refinação por parte dos maiores exportadores mundiais de petróleo e remete para segundo plano a necessidade de desenvolver alternativas energéticas ao crude. Fala-se apenas em “esforços de melhorar a eficiência energética e de diversificar as fontes energéticas. Entretanto, o preço do petróleo duplicou no espaço de um ano e os alimentos dispararam nos últimos trimestres.


Como dizem os nossos irmãos brasileiros, "pimenta no cu dos outros é refresco"...

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Sábado, 5 de Julho de 2008

Afinal a coisa não é assim tão boa como a andavam a apregoar!

Entretanto quanta gente já facturou grossos subsídios da UE à custa dos biocombustíveis?

Ideia de redução do CO2 baseou-se em modelos incorrectos

Biocombustíveis estão a provocar aumento de gases com efeito de estufa

04.07.2008 - 18h53 Paulo Miguel Madeira

O biocombustível obtido do milho americano emite quase o dobro do CO2 dos combustíveis fósseis (In Público)

A produção de biocombustíveis a partir de terras agrícolas está afinal a contribuir para o aumento das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera. O aumento da concentração deste gás contribui para o efeito de estufa que tem levado à subida da temperatura do planeta e à iminência de alterações climáticas e da subida do nível do mar. A ideia dominante tem sido oposta, mas um estudo publicado em Fevereiro na revista “Sicence” vem dizer que os métodos de contabilização das emissões utilizados eram parcelares.
Esta relação pode ser agora vista como surpreendente, pois a ideia contrária tem sido muito difundida, inicialmente inclusive por movimentos ambientalistas, e com as tecnologias actuais, durante a queima de biocombustíveis pelos automóveis, a emissão directa de dióxido de carbono é semelhante à da gasolina. Mas no conjunto do processo – agravado pelas alterações induzidas no uso dos solos, que contribuem também para uma maior desflorestação do planeta – o saldo acaba por ser muito mais pesado para os biocombustíveis obtidos por via agrícola (ou agrocombustíveis), a grande maioria dos actualmente utilizados.
A ideia é defendida e explicada por Timothy Searchinger, investigador na Universidade de Princeton, nos EUA, e o principal autor do artigo referido, que no início de Junho apresentou uma comunicação em Bruxelas durante a Semana Verde da Comissão Europeia, onde o PÚBLICO esteve. Searchinger argumenta que a maioria dos estudos anteriores contabilizou erradamente o carbono armazenado nas plantas durante o seu crescimento como contribuindo para a redução do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, e que isso só por si foi decisivo para permitir a conclusão de que as emissões resultantes da utilização de biocombustíveis seriam inferiores às do uso de combustíveis fósseis.
Mas Searchinger argumenta que não faz sentido contabilizar assim as emissões de CO2. Segundo explicou, em regra a terra utilizada para as culturas que dão origem aos biocombustíveis estava antes ocupada com vegetação, como florestas, matos, pastagens ou outras culturas, que também tinha carbono sequestrado.
Isto além de outros aspectos negativos dos biocombustíveis: “São acusados por uma grande variedade de estudos de serem um importante contributo para a situação da fome no mundo”, bem como “uma importante razão” do aumento dos preços da alimentação, pelo que recomenda que a produção se concentre “em biocombustíveis que não usem terra produtiva”, disse na altura.

Alteração do uso do solo agrava problema

Mas o cenário agrava-se quando se considera também o CO2 libertado com a alteração de uso do solo devido à plantação de milho, passando as emissões resultantes a ser 93 % superiores às da gasolina – 177 g de emissões de gases com efeito de estufa por MJ (mega joule), face a 92 g no caso da gasolina (um megajoule dá para percorrer meio quilómetro com bioetanol e 400 m com gasolina, segundo investigadores portugueses).
Na sua comunicação em Bruxelas, Searchinger notou que, quando se converte floresta ou pastagens, é libertado parte do carbono armazenado na vegetação e no solo, ao ser arado. E perde-se também a sequestração da vegetação que foi convertida, bem como a das terras de colheitas que reverteriam para florestas ou pastagens se não houvesse procura de biocombustívies.
De acordo com os cálculos apresentados, o etanol produzido nos EUA a partir de milho, em vez de permitir uma redução de 20 por cento das emissões de CO2 (como tem sido divulgado), quase que as duplica durante 30 anos e aumenta os gases com efeito de estufa durante 167 anos por induzir a conversão de terreno com florestas em terreno para agricultura (ver infografia).
Searchinger reconhece que os biocombuíveis podem justificar descontar das suas emissões parte do carbono existente na matéria-prima, se as plantas que crescerem para esse fim sequestrarem mais carbono do que o que se perdeu das anteriores. No entanto, não é isso que acontece nos casos que estudou.

Cana-de-açúcar merece estudo

O problema não se põe, pelo menos com esta dimensão, em todos os biocombustíveis. O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar no Brasil tem uma eficiência muito superior à dos exemplos referidos, estimando-se uma redução de 85 % das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) face às da gasolina, sem contabilizar os efeitos de mudança de uso da terra.
No estudo de Searchinger diz-se que se ela implicar apenas a conversão de pastagens tropicais pode compensar essas emissões em quatro anos. Mas, se implicar a conversão de floresta tropical, o período de compensação pode subir para 45 anos. No entanto diz-se também que “a extraordinária produtividade da cana-de-açúcar brasileira merece mais análise especial no futuro” – opinião que é partilhada pelo presidente da Liga para a Protecção da Natureza, Eugénio Sequeira.
A questão da conversão de terra é fulcral porque, por exemplo, no Brasil a agricultura está a expandir-se para a Amazónia devido ao aumento global da procura de terra agrícola, induzido também pelos biocombustíveis, segundo uma reportagem da revista norte-americana “Time”, onde o assunto foi tema de capa no final de Março.
No artigo da “Time”, sob o título “O Mito da Energia Limpa”, diz-se que o etanol produzido a partir de milho, “sempre ambientalmente suspeito, revelou-se ambientalmente desastroso” e que actualmente “a desflorestação é responsável por 20 % das emissões totais de carbono”.

 

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